Viajar Passear & Ler

Leituras  antes de viajar

ou durante ou depois  ou …

 

Quando fui ao México,

  • li “Maldita Guerra, Nova história da guerra do Paraguai”  de Francisco Doratioto,
  • levei o guia visual da PubliFolha
  • assisti a vários filmes mexicanos e gostei, mas só lembro de “Frida” (2002)
  • Biutiful e O Segredo dos seus Olhos  (este é do argentino Juan José, adoro cinema argentino! Beautiful!)

Quando fui a São Francisco,Orlando, Miami, Las Vegas

  • li “Os Americanos”  de Antonio Pedro Tota

Quando fui a Portugal,

  • revi nossas fotos… e
  • li “Guia Politicamente incorreto do Brasil” ,
  • reli Pessoa, Saramago “Viagem a Portugal” e
  • tentei reler Camões

Quando fui  à França:

Gosto dos guias pequeninos da Folha para não carregar peso: Seu Guia a Passo a Passo (Miami, Las Vegas, Los Angeles)

Meu guia preferido está com o Gui (lembrar!), é o Frommer’s

Mais guias: http://veja.abril.com.br/140508/p_138.shtml

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Você sabe com quem está falando ??????#*&*

Voce sabe com quem está falando????

Você tem tempo?

Veja Mário Cortella:  http://www.youtube.com/watch?v=0YGB5u2u8kA&feature=player_embedded#!

FP

Conhece Mário Sérgio Cortella?
Eu li alguns livros dele, assisti a algumas palestras e recomendo!

Melhor definiçao de Homem é de Fernando Pessoa e está no único livro de Pessoa Mensagem:  “O homem é um cadáver adiado”.        Concordo.            Concorda?

E TU?  Tu és o vice-treco do vice-troço!?

A GRANDEZA  de ser     pequeno.

 

Liberdade

de Fernando Pessoa

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

E mais…http://artedartes.blogspot.com.br/2008/07/prof-mrio-sergio-cortella.html

Parlapatões

Parlapatões revistam Angeli,  um espetáculo com a cara de São Paulo, uma revista rock’n roll

"Parlapatôes revistam Angeli" um espetáculo com a cara de São Paulo, uma revista rock'n roll.

Parlapatões – o chapéu, o tijolo e a flôr

Espaço Parlapatões. Praça Franklin Roosevelt, 158, tel. 3258-4449
sábados até dia 27/07 (sábado) – 23h59 – Parlapatões Revistam Angeli
pode ser comprado com antecedência em www.ingerssorapido.com.br
Os comediantes do grupo Parlapatões encenam personagens do cartunista Angeli como Rê Bordosa, Meia Oito, Bob Cuspe e Os Skrotinhos, entre outros. Com trilha sonora de Branco Mello (Titãs) e de Émerson Villani (Funk Como Le Gusta) e direção do parlapatão Hugo Possolo, é uma revista rock’n roll que homenageia um artista ativo, criativo, polêmico, político, constante e muito importante da história recente do humor no Brasil.
Direção: Hugo Possolo Elenco: Raul Barretto, Paula Cohen, Hugo Possolo, Rodrigo Mangal e Hélio Pottes
De Wikipedia:

Angeli
Arnaldo Angeli Filho

Nascido em São Paulo,  31 de Agosto de 1956
Local São Paulo, Brasil

Site oficial www2.uol.com.br/angeli

Arnaldo Angeli Filho um dos mais conhecidos chargistas brasileiros.
Começou a trabalhar aos catorze anos na revista Senhor, além de colaborar em fanzines. Em 1973 foi contratado pelo jornal Folha de São Paulo até hoje. Desde os anos 80, Angeli vem desenvolvendo uma galeria de personagens famosos por seu humor anárquico e urbano; entre eles se destacam
o esquerdista anacrônico Meia Oito e Nanico,
o seu parceiro homossexual enrustido (mas não muito);
Rê Bordosa, conhecida como a junkie mais “porralouca” dos anos 1980;
Luke e Tantra, as adolescentes que só pensam em perder a virgindade;
Wood & Stock, dois velhos hippies que deixaram seus neurônios na década de 1960;
os Skrotinhos, a versão underground dos Sobrinhos do Capitão;
as Skrotinhas, a versão “xoxotinha” dos Skrotinhos;
Mara Tara, a ninfomaníaca mais pervertida dos quadrinhos;
Rhalah Rikota, o guru espiritual comedor de discípulas;
Edi Campana, um voyeur e fetichista de plantão à procura do melhor ângulo feminino;
o jornalista Benevides Paixão, correspondente de um jornal brasileiro no Paraguai e o único a ter conseguido entrevistar Rê Bordosa;
Ritchi Pareide, o roqueiro do Leblão;
Rampal, o paranormal;

o machão machista Bibelô;
o egocêntrico Walter Ego (também conhecido como “o mais Walter dos Walters”);
Osgarmo, o sujeitinho vapt-vupt;
Rigapov, o imbecil do Apocalipse;
Hippo-Glós, o hipocondríaco (inspirado em Cacá Rosset);
Vudu;
Los Três Amigos e
Bob Cuspe, o anárquico punk que cuspiu nas piores criaturas de nossas gerações.
Ele próprio também se tornou um personagem, estrelando de início as tiras “Angeli em crise”. Outra versão caricata sua é o personagem Angel Villa de Los Três Amigos.
Lançou pela Circo Editorial em 1983 a revista “Chiclete com Banana”, um sucesso editorial (de uma tiragem inicial de 20,000 exemplares chegou a atingir 110,000), altamente influente e que contava com a colaboração de nomes como Luiz Gê, Glauco, Roberto Paiva, Glauco Mattoso e Laerte Coutinho. A Chiclete com Banana é considerada até hoje como uma das mais importantes publicações de quadrinhos adultos já editadas no Brasil.
Angeli já teve suas tiras publicadas na Alemanha, França, Itália, Espanha e Argentina, mas foi no mercado de Portugal que obteve mais destaque, tendo uma compilação de seu trabalho lançada pela editora Devir em 2000, ano em que também viu a estréia de uma série de animação com seus personagens numa co-produção da TV Cultura com a produtora portuguesa Animanostra.
Trabalhou na Rede Globo, como redator do programa infantil TV Colosso (1993-1996). Na mesma rede, entre 1995 a 2005, fez desenhos de 5 segundos, quando dava intervalos dos filmes da emissora.
Em 2006, produziu e lançou um longa de animação chamado Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, com o diretor Otto Guerra.

…..

Mais sobre os Parlapatões e/ou Angeli:

Não gostei de “Parlapatões revistam Angeli”,  por tudo que vi do grupo Parlapatões.

Assisti a  “Parlapatões, Patifes e Paspalhões”, “Stapafúrdyo”,  a arte do picadeiro e do palco convencional sempre estiveram juntos na trajetória do grupo. Tanto em montagens adultas como infantis, os cenários traziam imagens fantásticas com figuras humanas caricatas, estafúrdias, non-sense.  As acrobacias e malabarismos, desfiando a lei da gravidade, davam vida aos desenhos.

Isso tudo não aconteceu ontém no último dia da peça no espaço Parlapatões.

Foi legal ver ao fundo os desenhos do cartunista, o próprio cartunista como caricatura, mas faltou espaço para o espetáculo que eu esperarva rever. Também faltou uma história, um “link” entre as “charges” curtas do cartunista. E sobrou uma piadinha de mau gosto com deficiente físico. Consegui rir com os Skrotinhos, eram os melhores. Os atores não cantavam tão bem para uma Revista Rock’n Roll.

 

Mas, ainda, superior a a Barbixas, Rafinhas e outros stand-ups…na minha opinião 🙂

 

Personagens: http://www2.uol.com.br/laerte/personagens/

http://blog.clickgratis.com.br/SOTIRINHAS/366559/SOU+F%C3+DO+ANGELI.html

Assisti: Parlapatões, Patifes e Paspalhões

Palavrar: A língua de cada um (o que estou lendo)

letras

A Língua de cada um

A língua para Eça de Queiroz

“Falemos nobremente mal, patrioticamente mal,as línguas dos outros!”

“A Correspondência de Fradique Mendes”, de Eça de Queiroz

O progonista Fradique Mendes é, segundo o narrador, um homem cuja “forma é um mármore divino com estremecimentos humanos”.
“Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra; todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna com as suas influências afetivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do caráter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo.
Não, minha senhora! Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros! Mesmo porque aos estrangeiros o poliglota só inspira desconfiança, como ser que não tem raízes, nem lar estável – ser que rola através das nacionalidades alheias, sucessivamente se disfarça nelas, e tenta uma instalação de vida em todas porque não é tolerado por nenhuma.
[…] Eu tive uma admirável tia que falava unicamente o português (ou antes o minhoto) e que percorreu toda a Europa com desafogo e conforto. Esta senhora, risonha mas dispéptica, comia simplesmente ovos – que só conhecia e só compreendia sob o seu nome nacional e vernáculo de ovos. Para ela huevos, oeufs, eggs, das ei eram sons da Natureza bruta, pouco diferenciáveis do coaxar das rãs, ou de um estalar de madeira. Pois, quando em Londres, em Berlim, em Paris, em Moscou, desejava os seus ovos, esta expedita senhora reclamava o fâmulo do hotel, cravava nele os olhos agudos e bem explicados, agachava-se gravemente sobre o tapete, imitava com o rebolar lento das saias tufadas uma galinha no choco, e gritava qui-qui-ri-qui! co-có-ri-qui! có-rócó-có! Nunca, em cidade ou região inteligente do universo, minha tia deixou de comer os seus ovos – e superiormente frescos!”

A língua para Fernando Pessoa

Trecho do “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio…» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico.Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

A língua para Caetano Veloso

“E uma profusão de paródias”

“Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa”

“Minha pátria é minha língua”

Língua
Caetano Veloso
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
É uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
(- Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.

É isso!

Devemos falar orgulhosamente mal, nobremente mal, a língua dos outros com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro .

Nada de darmos nó na língua para nos inserirmos  imperceptivelmente na cultura do outro, esquecendo nossa identidade. Fale sem babar  “The thirty-three thieves thought that they thrilled the throne throughout Thursday”!?

Já a nossa língua portuguesa…essa deve ser esmiuçada, usada com impecável segurança e pureza.

Brincar, palavrar, descobrir uma palavra nova por dia…pode ser divertido!

Eu estimulava meus filhos, comprando palavras deles e guardando num baú de onde saíam estórias fabulosas!;)

Quanto mais palavras usamos/lemos, mais ricos ficam os nossos pensamentos, a nossa língua, as nossas relações, a nossa Pátria…